Capa de A Grande Vitória
5.8

A Grande Vitória

Bandeira de BrasilFilme1h46min • Drama

Direção: Stefano Capuzzi Lapietra

Ano: 2014

Idioma original: Português

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Sinopse

Max Trombini (Caio Castro) teve uma infância humilde e conturbada. Abandonado pelo pai ainda jovem, ele foi criado pela mãe e pelo avô, que morreu quando tinha 11 anos. Revoltado, passou a se envolver em diversas confusões em sua cidade natal, Ubatuba, e depois em Bastos, onde passou a morar. Foi através do aprendizado das artes marciais, em especial o judô, que ele conseguiu se estabelecer emocionalmente e construir uma carreira que fez com que se tornasse um dos principais técnicos do esporte no Brasil.

Review Depois do treino

por Jaques Freitas

Baseado na história contada no livro Aprendiz de Samurai, o filme acompanha a trajetória de Max Trombini, desde sua infância e os primeiros contatos com as artes marciais até sua vida adulta, quando se torna um renomado professor.

Um filme sobre judô que não é sobre medalhas

Estrelado por Caio Castro e com participação de Sabrina Sato, o filme leva aos cinemas uma história que, na minha opinião, ocupa um lugar especial entre as produções nacionais relacionadas ao judô. Mais do que mostrar treinos, competições ou técnicas, a narrativa apresenta a transformação que a prática pode proporcionar na vida de uma criança e como essa transformação pode, ao longo dos anos, influenciar tantas outras pessoas.

Isso já diferencia o filme da maioria dos filmes de luta, que costumam se apoiar na estrutura do torneio final. Aqui o conflito principal está fora do tatame: a revolta de um menino que perdeu o pai para o abandono e o avô para a morte, e que vive arrumando confusão em Ubatuba e depois em Bastos. O dojo entra na história como o lugar onde essa raiva ganha direção.

O mestre como figura central

Um dos aspectos mais interessantes da história é acompanhar o caminho percorrido por Max e perceber como os ensinamentos recebidos durante sua formação se tornam parte de sua vida. A relação com o sensei, vivido por Tato Gabus Mendes, é o coração do filme: disciplina, limites e confiança vêm antes de qualquer golpe.

Quem treina reconhece essa dinâmica. Todo judoca já teve, ou conhece alguém que teve, um professor que foi muito além do papel de instrutor. É o que Jigoro Kano chamava de Jita Kyoei, prosperidade e benefício mútuos: o mestre forma o aluno, e o aluno, um dia, forma outros.

Do aluno ao professor

Mais tarde, Max encontra no ensino um novo propósito, passando a lecionar judô e jiu-jítsu e se tornando uma referência, especialmente no ensino do jiu-jítsu, atividade à qual continua dedicado até hoje. É nesse ponto que o título faz sentido: a grande vitória não é uma luta, é a vida que ele construiu.

Filme e livro

Como toda adaptação, o filme condensa anos de história em pouco mais de uma hora e meia, e alguns personagens e fases da vida de Max ficam pelo caminho. Quem gostar do filme vai encontrar no livro mais detalhes, mais personagens e o relato na voz do próprio Max. Minha sugestão: assista primeiro e leia depois, ou faça o contrário e compare.

Para quem é

Para quem pratica judô ou se interessa por histórias de superação e transformação por meio do esporte, o filme é uma experiência interessante. Na minha visão, seu maior mérito está justamente em mostrar que o impacto de uma arte marcial pode ultrapassar os limites do tatame e acompanhar uma pessoa durante toda a sua vida. É uma boa indicação também para assistir com alunos adolescentes ou com a família, porque a mensagem chega sem precisar entender de judô.

Recentemente, o filme também passou a estar disponível na Netflix, facilitando o acesso de um público ainda maior a essa história.

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Aprendiz de Samurai: Uma história real