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Sinopse
"Sua força e qualidade técnica sempre impressionaram. O sassae dela, por exemplo, vencia qualquer luta. Nunca escolheu adversária. Treinava com qualquer uma." Sensei Suganuma, um dos principais judocas do Brasil "Ela é a responsável pela expansão do Judo feminino brasileiro. Deixou um legado, que agora com este livro, foi imortalizado." Alessandro Puglia-presidente da Federação Paulista de Judó "A Soraia desbravou o caminho e pavimentou a estrada do Judo feminino em nosso país. Mesmo com tantas dificuldades, escreveu o nome no hall do esporte e inspirou muitas atletas, inclusive eu. Tenho um imenso orgulho de ter convivido e treinado com este icone." Rosicleia Campos-técnica da seleção brasileira feminina de Judô e participante da primeira Olimpiada com o Judô feminino "Minha vida no Judô foi moldada pelo que aprendi com a Soraia e com a delegação da Olimpíada de 1992, em Barcelona. A geração atual precisa saber, por meio da pessoa certa, a história que deu origem ao Judô feminino nacional." Andrea Berti-campeã pan-americana de Judó, técnica e participante da primeira Olimpíada com o Judo feminino "A Soraia é considerada uma das maiores atletas do Brasil. Lutou contra o racismo, a misoginia e a imposição esportiva do Governo Militar. Sua trajetória merecia ser eternizada." Monica Angelucci, comped pan-americana, bicamped sal-americana e participante da primeira Olimpiada com o Judo feminino "Conheci a Soraia em 1980. Formamos a equipe de São Paulo e também a Seleção Brasileira. Passamos muitas coisas juntas, como concentrações e treinos. Tenho muito orgulho de ser amiga desta atleta maravilhosa e de um talento nato." Solange Pessoa, campeã pan-americana e heptacampeà paulista "Quando olhei para ela, já vi que iria longe." Masakatsu Akamine, o primeiro professor
Review Depois do treino
por Jaques Freitas
A autobiografia da sensei Soraia André apresenta uma trajetória pessoal que se confunde com a própria história do judô feminino no Brasil. Ao longo da obra, Soraia compartilha momentos importantes de sua vida e carreira sem se aprofundar excessivamente nas dificuldades e nos obstáculos que enfrentou, mantendo o foco em sua trajetória e nas experiências que marcaram sua caminhada.
O contexto: quando mulheres não podiam lutar
Para dimensionar o que significa ser pioneira no judô feminino brasileiro, é preciso lembrar um fato que muita gente desconhece. Entre 1965 e 1979, uma deliberação do Conselho Nacional de Desportos proibia as mulheres de praticar lutas de qualquer natureza no Brasil, o judô incluído. Na prática, as mulheres que treinavam o faziam à margem do esporte oficial, sem campeonatos e sem reconhecimento.
Só depois da revogação, em 1979, o judô feminino começou a se organizar como competição no país. Internacionalmente, o caminho também foi longo: o judô feminino foi esporte de demonstração em Seul 1988 e entrou de vez no programa olímpico apenas em Barcelona 1992.
É nesse cenário que a geração de Soraia construiu sua carreira, abrindo portas que antes simplesmente não existiam.
A aposentadoria e a vida depois do tatame
Um dos pontos que mais me chamou a atenção foi o relato sobre sua aposentadoria compulsória dos tatames e o desafio de lidar com a transição de uma carreira como atleta de alto rendimento para uma nova fase da vida, tanto no âmbito profissional quanto no pessoal. É interessante perceber como o encerramento de um ciclo tão importante exige a construção de novos caminhos e de uma nova identidade para além do esporte.
Esse é um tema pouco falado no judô. Celebramos as medalhas, mas raramente discutimos o que acontece com o atleta quando a carreira termina, muitas vezes antes do planejado. O relato de Soraia é valioso também por isso: mostra que essa transição é difícil, mas pode dar origem a uma nova forma de contribuir com o esporte.
Uma leitura curta para uma história grande
Considero a leitura breve diante da importância de Soraia para o judô brasileiro. Uma das pioneiras do judô feminino nacional, ela abriu caminhos e inspirou outras mulheres a seguirem seus passos. Histórias como a sua ajudam a compreender parte do percurso que levou o judô feminino brasileiro a alcançar o nível de estrutura e competitividade que conhecemos hoje, com títulos olímpicos e mundiais conquistados por atletas como Sarah Menezes e Rafaela Silva, criando oportunidades para novas gerações e futuras conquistas.
Com 127 páginas, o livro oferece uma leitura rápida e acessível. A linguagem simples e a curiosidade de conhecer mais sobre a história do judô tornam a experiência leve e agradável.
Para quem é
Para quem se interessa pela trajetória do judô feminino no Brasil e pelas pessoas que ajudaram a construir essa história, é uma leitura que vale muito a pena. Recomendo especialmente para professores e professoras que trabalham com turmas femininas, porque conhecer essa história ajuda a explicar às alunas que o tatame onde elas treinam hoje foi uma conquista.
Para continuar no tema, ouça o episódio do nosso podcast sobre as campeãs olímpicas Sarah Menezes e Rafaela Silva e leia a resenha de Os pioneiros do Judô no Brasil
