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Sinopse
O livro 'Pioneiros do Judô no Brasil' conta a história de Chiaki Ishii que trouxe e ajudou a desenvolver o Judô no Brasil. O judoca Ishii é japonês, naturalizado brasileiro e obteve as primeiras medalhas em mundiais e Olímpiadas para o Brasil. Na obra estão também retratados perfis lendários para os amantes do Judô, como Aurélio Miguel, Rogério Sampaio, Massao Shinohara e tantos outros mais.
Review Depois do treino
por Jaques Freitas
A autobiografia do sensei Chiaki Ishii, primeiro medalhista olímpico do judô brasileiro, busca resgatar parte da história do judô no Brasil a partir das memórias do próprio autor. A obra também presta uma homenagem aos pioneiros que contribuíram para a introdução e a difusão da modalidade no país.
Quem é Chiaki Ishii
Nascido no Japão, Ishii veio para o Brasil na década de 1960 e aqui construiu sua carreira como atleta e professor. Em 1972, nos Jogos Olímpicos de Munique, conquistou a medalha de bronze e entrou para a história como o primeiro judoca a subir ao pódio olímpico defendendo o Brasil. Essa medalha abriu uma tradição que hoje faz do judô uma das modalidades que mais trouxeram medalhas olímpicas ao país.
Por isso, ler a história dos pioneiros pelas mãos dele tem um peso especial: é alguém que viveu a transição entre o judô trazido pelos imigrantes japoneses e o judô de alto rendimento que o Brasil passou a disputar.
Um capítulo para cada pioneiro
Ao longo do livro, Ishii dedica um capítulo a cada um desses pioneiros, compartilhando histórias que ouviu ou vivenciou e mostrando como cada sensei contribuiu para o desenvolvimento do judô brasileiro. Na minha opinião, esse é um dos aspectos mais interessantes da obra: conhecer um pouco da trajetória dessas pessoas por meio das lembranças de alguém que fez parte dessa história.
Para entender o valor desse registro, vale lembrar o contexto. O judô chegou ao Brasil junto com a imigração japonesa, iniciada em 1908, e durante décadas foi ensinado em pequenos dojos nas colônias, muitas vezes sem estrutura e sem documentação. Boa parte dessa história sobreviveu apenas na memória de quem estava lá. Livros como este evitam que esses nomes se percam.
Por que essa leitura importa
Quem treina judô hoje encontra federações organizadas, campeonatos, ranking e atletas brasileiros disputando medalhas no circuito mundial. É fácil esquecer que tudo isso começou com professores que davam aula em espaços improvisados, muitas vezes sem receber nada, apenas pela convicção de que o judô valia a pena. Conhecer essas trajetórias muda a forma como olhamos para o nosso próprio dojo e para os professores que nos formaram.
Vale a pena?
Com 223 páginas, é uma leitura relativamente extensa, mas que se torna leve justamente pela forma como os capítulos são organizados. Cada um apresenta uma nova história, um novo personagem e uma perspectiva diferente sobre os primeiros passos do judô no Brasil. Dá para ler um capítulo por vez, sem perder o fio.
Para quem deseja conhecer melhor as raízes da modalidade no país e valorizar aqueles que ajudaram a construí-la, considero uma leitura bastante interessante. Ela combina bem com outras histórias que já resenhamos aqui, como JapoNegra e Aprendiz de Samurai, que mostram gerações seguintes desse mesmo judô brasileiro.
