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Sinopse
Através das traduções ao longo de muitos anos das palestras de Kano, Brian Watson, apresenta nessa obra a filosofia, os métodos e os objetivos de Jigoro Kano, o “pai do Judô”. O livro traz os pontos de vista de Kano sobre a importância do randori, dos katas do Judô, da postura correta e das competições, além dos conselhos gerais que ele oferecia aos judocas, principalmente com relação às suas responsabilidades éticas, morais e intelectuais. O autor mostra também que o Judô, além de ser uma atividade física e mental completa, possui grande potencial no âmbito espiritual.
Review Depois do treino
por Jaques Freitas
Escrito por Brian N. Watson, este livro é, na minha opinião, uma espécie de extensão de Energia Mental e Física, obra que reúne ensinamentos do mestre Jigoro Kano. A partir da tradução de palestras de Kano e da pesquisa em diversas outras obras, Watson apresenta ao leitor diferentes aspectos dos primeiros anos do judô.
Quem foi Jigoro Kano
Para quem está começando no judô, vale uma breve apresentação. Jigoro Kano nasceu em 1860 e, ainda jovem, estudou jujutsu nas escolas Tenjin Shin'yō-ryū e Kitō-ryū. A partir dessas experiências, organizou um novo método, eliminando técnicas perigosas e estruturando o treino em torno de princípios. Em 1882, fundou o Kodokan, em Tóquio, onde nasceu o judô.
Kano foi, antes de tudo, um educador. Dirigiu escolas, trabalhou pela educação física no Japão e, em 1909, tornou-se o primeiro membro asiático do Comitê Olímpico Internacional. Ele morreu em 1938, voltando de uma reunião do COI. Entender esse perfil de educador é a chave para ler o livro.
Randori, kata e o judô competitivo
Ao longo do livro, encontramos temas fundamentais para compreender a visão de Jigoro Kano sobre sua criação, como a importância do randori, dos katas, da postura correta e também do judô competitivo. Para quem tem interesse em conhecer não apenas as técnicas, mas também os conceitos que contribuíram para a construção do judô, a obra oferece uma perspectiva bastante interessante.
Esse equilíbrio é um debate que continua atual. Hoje muitos dojos priorizam o randori e a competição, enquanto o kata fica restrito aos exames de faixa. Ler como o próprio fundador enxergava a relação entre as duas formas de treino ajuda a repensar essa divisão.
O Kodokan, a educação e as viagens
O livro também apresenta o período de criação do Kodokan, aborda os aspectos educacionais defendidos por Kano e traz breves relatos sobre algumas de suas viagens para fora do Japão. Outro ponto que considero interessante é a análise feita por Brian N. Watson sobre a influência do judô na sociedade japonesa, ajudando a ampliar a compreensão sobre a importância da modalidade para além do aspecto esportivo.
Assim como Energia Mental e Física, a edição brasileira foi traduzida por Wagner Bull a partir da versão em inglês.
Como ler
Com 247 páginas, é uma leitura relativamente extensa. Ainda assim, a linguagem simples utilizada ao longo da obra e, principalmente, a curiosidade despertada pela história e pelos ensinamentos de Jigoro Kano tornam a leitura mais leve e envolvente.
Uma sugestão de ordem para quem quer estudar a filosofia do judô: comece por Energia Mental e Física, que é mais curto e vai direto aos princípios. Depois venha para Memórias de Jigoro Kano, que dá o contexto histórico. Feche com Judo Kyohon, em que o próprio Kano organiza o ensino do judô passo a passo.
Para quem é
Na minha opinião, é uma obra recomendada para praticantes e admiradores do judô que desejam conhecer um pouco mais sobre sua história e, principalmente, compreender melhor as ideias que ajudaram a construir os fundamentos da modalidade que conhecemos hoje. Para professores, é uma fonte rica de histórias para contar aos alunos e explicar por que fazemos as coisas do jeito que fazemos no tatame.
